Vinde, subamos ao Monte das Oliveiras, ao encontro de Cristo que hoje regressa de Betânia e Se encaminha voluntariamente para a sua santa e venerável paixão, a fim de realizar o mistério da salvação dos homens.
Caminha o Senhor livremente para Jerusalém, Ele que desceu do Céu por causa de nós, prostrados no abismo, a fim de nos elevar consigo, como diz a Escritura, acima de todos os Principados, Potestades, Virtudes e Dominações, acima de todo o nome conhecido neste mundo e no futuro.
O Senhor não vem com glória, fausto ou pompa. Ele não gritará nem clamará, diz a Escritura, nem se ouvirá a sua voz; mas será manso e humilde, e entrará com aparência modesta e vestes de pobreza.
Acompanhemos o Senhor, que corre apressadamente para a sua paixão; imitemos aqueles que foram ao seu encontro: não para juncar o caminho com ramos de oliveira ou de palma, tapetes ou mantos, mas para nos prostrarmos a seus pés com humildade e rectidão de espírito, para acolhermos o Verbo que vem até nós e recebermos aquele Deus que lugar algum pode conter.
Alegra-Se Jesus Cristo porque deste modo nos mostra a sua mansidão e humildade, e sobe, por assim dizer, sobre o crepúsculo da nossa ínfima pequenez; veio ao nosso encontro e conviveu connosco, fazendo-Se um de nós, para nos elevar e reconduzir a Si.
Diz o salmo que Ele sobe ao mais alto dos Céus, isto é, para a excelsa glória da sua divindade, como primícias antecipadas da nossa condição futura; mas nem por isso abandona o género humano, porque o ama e quer elevar consigo a natureza humana, levantando-a do mais ínfimo da terra, de glória em glória, até a fazer participante da sua dignidade sublime.
Portanto, em vez de túnicas ou ramos sem vida, em vez de arbustos que alegram os olhos por pouco tempo, mas depressa perdem a sua frescura, lancemo-nos a nós mesmos aos pés de Cristo, revestidos da sua graça, ou melhor, revestidos d’Ele mesmo, porque todos vós que recebestes o Baptismo de Cristo, fostes revestidos de Cristo; sejamos como túnicas estendidas a seus pés.
Éramos como escarlate por causa dos nossos pecados, mas pelo banho salutar do Baptismo tornámo-nos brancos como a lã, para oferecermos ao vencedor da morte não já ramos de palmeira mas os troféus da sua vitória.
Agitando os ramos espirituais da alma, aclamemo-l’O todos os dias, juntamente com as crianças, dizendo estas santas palavras: Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel.