São Pedro Claver foi um sacerdote jesuíta catalão, e missionário, que nasceu em 1580 no seio de uma família de agricultores que era devotamente católica e próspera na aldeia de Verdú, Urgell, localizada na província de Lleida. Mais tarde, como estudante da Universidade de Barcelona, Claver ficou conhecido pela sua inteligência e piedade. Após dois anos de estudos, escreveu essas palavras no seu caderno, que guardou até o fim de sua vida: “Devo dedicar-me ao serviço de Deus até a morte, entendendo que sou como um escravo.”
Após a conclusão dos seus estudos, ingressou na Companhia de Jesus em Tarragona, aos 20 anos. Quando completou o seu noviciado, foi enviado para estudar filosofia em Palma. Lá conheceu o porteiro do Colégio, Santo Afonso Rodríguez, um irmão leigo que era conhecido pela sua santidade e dom de profecia. Rodríguez acreditava que Deus lhe dissera que Claver iria passar a vida a serviço nas colónias da Nova Espanha e pedia frequentemente para que o jovem estudante aceitasse esse chamamento.
Claver ofereceu-se para as colónias espanholas e foi enviado para o Reino de Nova Granada, onde chegou à cidade portuária de Cartagena em 1610. Foi necessário esperar seis anos para ser ordenado sacerdote. Enquanto fazia os seus estudos teológicos, morou em casas jesuítas em Tunja e Bogotá. Durante esses anos preparatórios, ficou profundamente perturbado com o tratamento severo e as condições de vida dos escravos negros trazidos de África.
O Pe. Alonso de Sandoval foi o seu mentor e inspiração, por ter se dedicado a servir os escravos durante 40 anos antes que Claver chegasse para dar continuidade ao trabalho. Sandoval achou Claver apto e, quando ele professou solenemente os seus votos, em 1622, assinou o seu documento final com os dizeres em latim: Petrus Claver, aethiopum semper servus (Pedro Claver, servo dos etíopes para sempre).
Claver dirigiu-se ao cais assim que um navio negreiro entrou no porto. Embarcando no navio, entrou nos porões para tratar e ministrar a carga humana terrivelmente maltratada, que havia suportado uma viagem de vários meses sob condições difíceis. Depois, enquanto os escravos foram arrebanhados do navio e redigidos nos quintais próximos para serem examinados por uma multidão de compradores, Claver juntou-se a eles com remédios, comida, pão, brandy, limões e tabaco. Com a ajuda de intérpretes deu instruções básicas.
Claver viu os escravos como companheiros cristãos, encorajando-os a fazê-lo também. Durante a temporada em que os traficantes não aportavam, Claver atravessou o país visitando plantações atrás de plantações para dar consolo espiritual aos escravos. Durante os 40 anos de ministério, estima-se que ele tenha catequizado e baptizado mais de 300 mil escravos.
O trabalho de Claver em favor dos escravos não o impediu de ministrar às almas de membros prósperos da sociedade, comerciantes e visitantes de Cartagena (incluindo muçulmanos e protestantes ingleses), tendo também feito o mesmo a criminosos condenados, muitos dos quais preparou espiritualmente para a morte. Também era um visitante frequente nos hospitais da cidade.
Nos últimos anos da sua vida estava doente demais para deixar o seu quarto e permaneceu negligenciado, esquecido, fisicamente abusado e privado de comida durante quatro anos, por um ex-escravo que havia sido contratado pelo superior da casa para cuidar dele. Nunca reclamou do modo como foi maltratado, aceitando-o como punição justa pelos seus pecados. Veio a falecer no dia 8 de Setembro de 1654.
Quando as pessoas da cidade souberam da sua morte, muitos forçaram-se a entrar no seu quarto para prestar homenagem. Tal era a sua reputação de santidade que as pessoas se apoderaram de todas as suas roupas para servir como uma relíquia do santo.
Ficou conhecido como “Escravo dos Escravos e “Apóstolo dos Negros”.