Celebramos hoje a instituição da Eucaristia, o sacramento que perpetua a presença real de Jesus, Deus encarnado, na sua Igreja, até ao fim dos tempos. Jesus eucarístico, que hoje está connosco e se nos dá em comunhão, é exatamente o mesmo que viveu na terra há dois mil anos, assumindo a nossa vida por inteiro. Devemos estar profundamente agradecidos pelo dom maravilhoso da Eucaristia, ou melhor dizendo, de Cristo eucarístico.

No livro do Êxodo encontramos a descrição da ceia ritual da Páscoa judaica, recordando a libertação do povo de Israel da escravidão do Egito. Neste contexto, Cristo instituiu a Eucaristia, em que o alimento é Ele próprio, «o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo». Em cada Missa devemos celebrar a nossa própria libertação, por Jesus Cristo, de tudo o que nos prende e escraviza: o egoísmo, o pecado, o desamor.

São Paulo transmite-nos a primeira narração da instituição da Eucaristia. Não se trata de uma devoção opcional, mas do cumprimento de um mandamento de Cristo: «Fazei isto em memória de mim». Deveríamos ter isto presente quando participamos numa Missa: estamos a cumprir o que Jesus nos pede.

O Evangelho apresenta-nos Jesus a exercitar um ofício que estava reservado a um escravo: lavar os pés aos seus senhores. O lava-pés (que este ano não fará parte da celebração) faz parte da instituição da Eucaristia e revela o modo como Jesus se apresenta eucaristicamente: numa atitude de humildade e serviço. Na Eucaristia cumpre o que nos disse: «Eu estou no meio de vós como aquele que serve». E pede-nos que sigamos o seu exemplo: «Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, vós também o façais». Não basta comungar Cristo na Eucaristia. É preciso ter na vida um estilo eucarístico, de humildade que serve.