Celebramos hoje a paixão e morte de Cristo. Jesus, o próprio Deus, livremente entrega a sua vida por nós. Tendo feito tantos milagres para libertar as pessoas do poder do mal, também poderia livrar-se milagrosamente dos seus inimigos. Mas a maravilha está em que se ofereceu para suportar a morte temporal a fim de nos libertar da morte eterna. Com Santo Agostinho, exclamemos agradecidos: «Como nos amastes, Pai bondoso, Vós que não poupastes o vosso Filho único, mas o entregastes por nós pecadores! Como nos amastes! Por amor de nós, Ele não se valeu da sua igualdade convosco e fez-se obediente até à morte de cruz. Ele é o único livre entre os mortos, que tem o poder de dar a vida e o poder de a retomar».

A leitura da paixão, que a liturgia nos apresenta, não é o relato frio de acontecimentos de há dois mil anos. É a história de quem é o nosso Salvador, que dá a sua vida com uma dedicatória pessoal para mim, a revelação da sua paixão de amor por mim e por toda a humanidade.

O rito da adoração da cruz de Jesus deve inundar o nosso coração de gratidão, pois nela encontramos a mais clara e eloquente prova do amor que Deus nos tem. Deve ser também ocasião de revermos o modo como levamos a nossa cruz: com revolta ou com resignação positiva? Com amargura ou com ofertório de amor?